O percalço do resistir
A visão amarga
De si própria
O lance de escadas
Que sobe pesado
Entre os degraus
De uma mente atormentada
E o suor frio
Que cai dos recantos
Profundos da alma
Em extrema agonia
A amálgama da vida
Forçada em resistir
Por um sentido vazio
Que percorre o infinito
Grilhões de vidro
Que trituram o pulsar
E assim se esvai
O senso do sentir
Na ferocidade do vão
Que se abre nessa angústia
De um tormento celestial
Daquilo que já fui
E assim na percepção
De um rasgo que foi feito
Nessa carne amargurada
Sem limite seu efeito
E o vácuo que se estende
Nessa curva sensorial
Será o peso da existência?
Ou o abismo do real?

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