Extasiada em euforia misantrópica
As cortinas da derrota que se fecham
Digna coragem soberana
A tempestade de lágrimas, o ardor
Em cortes profundos
Em busca do alívio final
O odor que se aconchega
Do putrefato abissal
E com sua ternura sagrada
Ceifando aquilo que já foi
Tenebrosa alegoria
Do seu manto de consolo
A visão que fica turva
Entre as medidas que se expulsam
O rubro que escorre
Em perfeita decoração
E o ritmo sincopado
Que se perde sem maestro
O ouvido já não houve
Sua música de lamento
A geada se aproxima
Tenebrosa sensação
A neve se prontifica
E cobre toda região
E por fim aquele instinto
Gigante e magistral
A percepção do todo
Se despede do real
E assim se deleita em profusões
De temores que outrora foram
Não se ouve mais o canto
O lamento já se calou

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