segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A Dança da Vida

O sussurro sombrio
Da vida que vai
Atropelo mortal
Tombo fatal

E o curso da vida
A toda deriva
De um monte incessante
De rodas infinitas

O sombrio despertar
De todo amanhecer
Resplandece o esperar
Do meu tenro falecer

E no calor da insensatez 
De uma aspiração incansável 
O faro da semi-vida
Sob o meu mortuário

E no curso dessa montanha
Que conduz a loucura 
O ralo que ejeta
Os temores do mundo

Sob o sentido da ilusão 
Dessa amálgama cruel
Desperta o desejo
De um súbito revés 

E essa ânsia que se perfaz 
E nunca satisfeita 
Volta e fica no lugar
Dessa atmosfera rarefeita 

E nas luas da minha dor
Sob o julgo dessa existência 
A infinita danação 
Nesse caco de decadência 

E subo então na escada
Resplandece o que vai vir
A escuridão do infinito
O fim daquele partir

E permeando essa incumbência 
Que foi dada de mal grado 
O suor ali se seca
O relaxo é esperado

E nessa tênue linha que balança
Em uma dança que se permeia
O sopro que se vai
Na sombra que devaneia

E o ápice dessa obra
A arte no seu esplendor 
O perfeito infundir
Desse pó celestial

O retorno dessa vida
Ao seu ponto inicial
Em matéria inorgânica 
E se fecha o vitral 













quarta-feira, 11 de agosto de 2021

ROMPANTE

O incólume abismo 

Que se estende nessa relva

De ervas daninhas

Que crescem em pensamentos


E o lugar em que se fixa

O peso do existir 

Como troncos que se alinham

Em flamejos de consciência 


A história que se finda

No vão da existência 

Sob auras de morte

De minha decadência 


Na amargura que apresenta

Um doce pesar

De um corpo sem vida

Mas que pode andar 


E nessa tênue indiferença 

Ao vilipêndio do existir

Em suma desistência 

Da vida que ruiu 


E no algoz da tormenta

De um sopro carnal

A paixão que atormenta

O sacrifício final....








quinta-feira, 5 de agosto de 2021

GRITOS

E o sarcasmo real

Que se encontra no padecer

De um eterno amanhecer

Entre vias escuras

Da mente insana


E os vapores corpóreos

Que instigam a farsa

Da existência plena

Entre curvas entranhas

De uma terra reticente


O embrionário

Perdão que se adentra

De um desfeito que clama

Entre horrores que ficam

Nos percalços da mente


O socorro que não chega

De um pedido que não foi feito

Um grito sufocado

Que estufa o peito

E assombra o rosto


Intriga mortal

Que afeiçoa o seu laço

De um corte profundo

Na carne amargurada

De um estágio avançado


E o barulho da mordaça

Que lhe foi presenteada

Em sua própria sabedoria

Na sua alma entrelaçada

Em contusão


Profundas são as veias

Desse corpo mal acabado

Que foram se estendendo

E o sangue colapsado

Destoa do existir


Em faces de um horror

Que se adentra na emoção

Das paixões que se amontoam

E enclausuram o coração

Um tornado


Se são em vias de se acabar

Que se encontra a esperança

Nesse rito de passagem

De um sopro de vida

Surge a fúnebre dança....




quarta-feira, 4 de agosto de 2021

QUEDA

Em meio ao caos
Do súbito despertar
De um sono profundo
De uma egrégora individual

E um sopro de vida
Some na escuridão
Dentre esses apetrechos
De um rosto cicatrizado

O intenso farfalhar
Dos pensamentos
Que vem a tona
E se põem a sibilar

Nessa tormenta de razões
Que se apoderam do ser
O impulso tenebroso
Do fundo do abismo

E em torpes uniões
Entre a carne e o pesar
De uma derradeira derrota
Que se põe a caminhar

Nesse imenso vazio
Onde o fim sempre começa
Por entranhas de um soluço
Que se estende ao infinito

E em tochas reluzentes
Da mente que se atrofia
Se expande além do limite
E se rompe em agonia

E em ruínas do que restou
De um corpo mal vivido
De uma era que se passa
E onde repousa o pesar

Nessa queda rumo a nenhum lugar
De onde se pousam corvos mortos
O rumo que põe a acolher
Em braços esqueléticos do fim....






quarta-feira, 28 de julho de 2021

Equílibrio

E o balanço continua

Em movimento pendular

Sobre sua própria forma

Anula o seu extasiar


O contraste da sensação

Que se amplia em emoções

Sobre o tenso existir

Derrubada em ilusão


Por entre caminhos extensos

Em voltas infinitas

Em uma dimensão contornada

Da desenfreada ambição


E essa tenra agonia

Que perpassa o tempo

De um lapso de realidade

Que acentua  o desejo


Sinistra amargura

Desenvolta em laços

Que se torcem em meu pescoço

E ampliam o pesar


E nessa longa estrada

Que parece não ter fim

O salto que se aproxima

Do eterno não existir


E sobre mechas viscerais

De um açoite fatídico

Que se estende nessa porta

Do sonhos dos loucos....




terça-feira, 6 de julho de 2021

A Ilusão

E o entrave se apresenta

Ardil em sua tormenta

Entre turbilhões do pensar

Sem aviso se põe a chorar


E na outrora era que se vai

O pensamento emocionado se desfaz

E enxerga dentro da realidade

O profundo abismo que se encontra


E nessa andança infinita

Por entre paixões escarnecidas

Nas entranhas de uma alucinação

Sente a infâmia de sua solidão


Essa ânsia que se faz

Presente em profunda agonia

Entre as feras da sua própria mente

Que dilaceram sua própria carne


E o muro que se ergueu em sua volta

Lhe dá o tom da derrota

Essa que veio de si mesma

A revolta contra seu próprio pesadelo


Criação que lhe foi concedida

Por sua própria existência mal vivida

E nessa extrema cadência

De atos que se esvaziam


E o surto que se inicia

No topo daquela epifania

De uma percepção real

Da dimensão do imemorial


E nessa caminhada terrena

Em que essa alma por aqui pena

Nas esquinas das ruas estreitas

Que vagueiam entre tristezas


Essa glória infernal

Que se põe a caminhar

Entre sua própria enxaqueca

De ilusões reais....




sexta-feira, 2 de julho de 2021

O fosso

O estímulo feral

A chaga mortal

A intempérie da alma

Com força espectral


E o sopro da vida

Quase desfaz

Em fuga plena


A barragem da mente

Que represa o pensar

Agressivo, e mortal

Esforço colossal


E no intento do saber

A canção da alegria

Sob uma triste melodia


O estopim de uma guerra

Que se passa no limiar

Na fronteira da loucura

Com o mar sentimental


E o encanto da emoção

Não passa de uma ilusão

Que fere o âmago do existir


Essa dança sem fim

Por um ignóbil lamento

Que encerra em si mesmo

A seu próprio contento


E os passos que se seguem

Em plena alusão

Ao grito de decepção......