quinta-feira, 13 de maio de 2021

Sussurro


Em afazeres desprezíveis de uma jornada escatológica

O são remédio de outrora que se foi

Dia que passam longos e oblíquos por entre vidas ceifadas

O suor da mente que segue perturbada


Cantos icônicos de uma besta voraz

Ecoam em harmonia com o salto de um precipício

A maldição que surge no ventre

Dum torpe existir rechaçado


Por entre veredas de um labirinto insano

Se agrupam os caçadores da morte

Poupando o tempo que perpassa pela direção

Rumo ao vazio eterno


Incendiando o evoluir

Da alma deixada em um baú sem tranca

O sopro que parte da estrada vazia

Açoita o divino drama


E entre o sussurro do respirar

Ouvimos o escuro torpor celestial

Em danças ritmadas pela agonia

O som do veneno amoniacal




quarta-feira, 12 de maio de 2021

Santidade

O sopro gelado que corre pelas veias

O destino encarnado que sobe a espinha

Malfadado horror que perturba o insano

Dizeres que outrora magoam o indolor


Suspiros que imolam a alma

Delírios que desabam em desavenças

Roda da fortuna que desvai em sátiras

O apego ao que nunca foi


Em ruínas dentro de sua própria tumba

Em virtudes de laceradas benesses

O amargo veneno recirculado

O sabor do centeio de fel


E o canto da morte ecoa

Nos dentes das montanhas abissais

Por entre a hecatombe da mente

O mar eterno das lamúrias 


E ao passo do tempo infinito

Em espaços de sorte definidas

O destino selado habita

O final que espreita na surdina.....





Escuro

 O cheiro do mofo

O escuro insaciável 

Ondas de mistério 

Trazem o intransponível 


Limite do existir

Limiar de sensações 

O hábito cristaliza

O necessário se inviabiliza 


Em torções incessantes

De vidas não vividas

Aumento da aurora

Do triste final


E sobre o rosto escondido

Uma feição se perfaz

Ódio e amor

Se entrelaçam em mordaz


Em vozes silenciadas

Habita o nascer

Prematura se fez

Ou o aborto de vez







quinta-feira, 6 de maio de 2021

Loucura

Embalo soturno 
Embalsamado em sensações 
O raiar da noite desperta
A inquietude da frustração 

Em vias tenebrosas
De um amargo caminhar 
Um tiro no escuro
Estampido ao sonhar

Em raios de excitação 
Fortes ressalvas do existir
Ruas que se desmontam
Pensamento que se põe a ruir

E no final da descida
Deste mundo espectral
O terror da vida 
Em um suspiro final

Jogos que se desenrolam sem parar
Em profusão de ideias extraordinárias
Ventam por entre portas mal fechadas
Induzem ao eterno caminhar

E com profunda decepção 
Toma forma a realidade
E no final de tudo
Não se passa de insanidade