terça-feira, 6 de julho de 2021

A Ilusão

E o entrave se apresenta

Ardil em sua tormenta

Entre turbilhões do pensar

Sem aviso se põe a chorar


E na outrora era que se vai

O pensamento emocionado se desfaz

E enxerga dentro da realidade

O profundo abismo que se encontra


E nessa andança infinita

Por entre paixões escarnecidas

Nas entranhas de uma alucinação

Sente a infâmia de sua solidão


Essa ânsia que se faz

Presente em profunda agonia

Entre as feras da sua própria mente

Que dilaceram sua própria carne


E o muro que se ergueu em sua volta

Lhe dá o tom da derrota

Essa que veio de si mesma

A revolta contra seu próprio pesadelo


Criação que lhe foi concedida

Por sua própria existência mal vivida

E nessa extrema cadência

De atos que se esvaziam


E o surto que se inicia

No topo daquela epifania

De uma percepção real

Da dimensão do imemorial


E nessa caminhada terrena

Em que essa alma por aqui pena

Nas esquinas das ruas estreitas

Que vagueiam entre tristezas


Essa glória infernal

Que se põe a caminhar

Entre sua própria enxaqueca

De ilusões reais....




2 comentários:

  1. Tem dias que a memória deveria ser uma bigorna gigante batendo em nossas cabeças e espalhando fragmentos dos nossos pensamentos nas paredes grafitadas da cidade.

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